Quais são os seus melhores e piores freelas? Ao longo da nossa carreira quanto profissionais independentes, certamente acumulamos muita experiência positiva, mas situações inusitadas também. Algumas são positivas e reforçam que há como manter uma relação saudável com clientes, enquanto outras trazem algum tipo de ensinamento.
Uma coisa é certa: a vida de um freelancer pode ser tudo, menos monótona. Pensando em tudo isso, hoje quero compartilhar com você algumas experiências anteriores da minha carreira, comentando alguns dos melhores e piores freelas da minha jornada.
Esse conteúdo foi uma sugestão que recebi na pesquisa freelancer que disponibilizamos no site. Caso queira pedir algum conteúdo para nosso equipe, basta respondê-la ou me encaminhar um e-mail pela área de contato. A sua ajuda é muito importante para construir um portal que efetivamente ajude a nossa comunidade.
Quais foram os meus piores freelas (e o que aprendi com eles)?
Como já diria o poeta, “nem tudo são flores” na vida de um profissional independente. Dessa forma, é inegável que tive algumas experiências negativas em minha carreira até aqui. No entanto, entendo que essas situações fazem parte da jornada e, ao invés de lamentá-las, devemos converter os problemas em aprendizados.
A seguir, vou compartilhar aqueles freelas que considero como experiências negativas, mas com alguns comentários sobre o que aprendi com esses projetos. Isso porque não basta reclamar de um projeto que não correu bem. É preciso entender os motivos para que essas questões não voltem a aparecer no futuro.
Antes de começar a lista, adianto que não citarei nomes de pessoas ou empresas por uma questão ética. No entanto, acredito que isso não tenha qualquer importância no que vamos abordar neste artigo. Vamos lá!
Projeto #01: preço baixo e excesso de demanda
Logo no começo da minha carreira como freelancer, já me deparei com aquele que considero até hoje o meu pior freela. Na oportunidade, eu ainda estava começando e não tinha qualquer projeção de ser um profissional independente. Queria apenas obter alguma renda extra que me permitisse um pouco mais de tempo até um novo emprego.
Em outras palavras, neste momento eu não tinha um portfólio, tampouco qualquer noção sobre os preços praticados pelo mercado. Esse, aliás, é um cenário bem comum entre iniciantes no trabalho independente.
Foi assim que eu fui parar na Workana, que é uma plataforma de trabalho freelancer. Por lá, sem qualquer noção sobre preços, comecei a enviar meus lances e fui contratado por uma pessoa que começou a generalizar demandas das mais diversas áreas. O resultado? Muito trabalho, muito esforço e uma remuneração baixa.
O que aprendi com esse freela?
Logo de cara, posso dizer que esse primeiro freela me ensinou muito sobre o que eu deveria fazer caso quisesse seguir por muito tempo neste formato de trabalho. A começar pela precificação. Não é possível manter o pagamento das contas sem cobrar pelo menos um valor justo. Quantidade de projetos é muito diferente de qualidade de projetos.
Importante mencionar que, embora não gostasse da abordagem genérica da pessoa que me contratava naquele momento, o erro foi exclusivamente meu. Se você aceita trabalhar por valores baixos, esse erro também é seu. O cliente não tem responsabilidade de ter pena ou questionar se você consegue pagar suas contas com aquele valor cobrado.
O mesmo vale para o excesso de demanda que acumulei com esse cliente. Cobrar R$20 por um artigo (não me recordo ao certo o valor que pratiquei nesse primeiro momento) chega a ser absurdo — e eu sei que muitas pessoas fazem isso ainda hoje. É natural que, recebendo tão pouco, a gente tenha que aceitar muito trabalho. É inviável no longo prazo.
Para piorar a situação, você acredita que ainda fui questionado quando publiquei um desses textos no meu portfólio? Por todo esse contexto, considero esse projeto como o pior que já participei na minha vida, mas entendo que foi extremamente importante para acelerar o meu processo de profissionalização.
Projeto #02: baixo conhecimento técnico
Outra situação de freela que não considero como uma experiência positiva foi um projeto em que me foi solicitada uma análise de um curso online. Até aí tudo bem, pois já fiz vários trabalhos desse tipo. Só que haviam barreiras adicionais para a execução.
O primeiro problema é que eu não tinha acesso ao conteúdo do treinamento, apenas uma página de vendas. Além disso, o tema do curso era sobre um conteúdo que eu não tinha experiência prática ou proximidade, algo que dificultou bastante a execução.
O que aprendi com esse freela?
Não podemos confundir a especialização de uma atividade (produção de conteúdo, design, programação, etc.) com a especialização em áreas ou temas. Portanto, a lição desse projeto foi que é essencial entender o grau de proximidade com o assunto de um trabalho antes de aceitá-lo.
Passando para um exemplo prático, vamos supor que você seja um designer especialista em diagramação de páginas. Isso não significa que você deva aceitar um projeto de criação de logo, pois embora seja a mesma atividade (design), não exige o mesmo tipo de conhecimento técnico (criação de logotipos).
Além disso, também recomendo que exista afinidade com o tema. Mantendo o nosso suposto designer como exemplo, não faz muito sentido ele aceitar diagramar uma revista para uma churrascaria se ele é vegetariano. Eu sei que muita gente vai discordar desse ponto, mas penso que a afinidade facilita muita a execução de uma tarefa, assim como a qualidade da entrega.
Projeto #03: falta de briefing completo
Seguindo com a lista de piores freelas que eu já participei, agora quero comentar um caso específico em que houve falha de briefing. Na oportunidade, fui contratado para produzir dois conteúdos para a área de Recursos Humanos. Como tenho formação em Administração, entendi que teria as condições de entregar esse material.
O problema surgiu quando o cliente, que não havia especificado qualquer conhecimento técnico anteriormente, passou a questionar informações do texto as quais, segundo ele, não eram suficientes para encerrar o projeto. Não foram poucas as vezes que ajustes foram solicitados e sempre com alguma nova ressalva. Optei por sugerir o encerramento do projeto para que ele buscasse um especialista na área, mesmo atendendo as solicitações anteriores.
O que aprendi com esse freela?
Aqui, ao contrário do projeto anterior, não acredito que o erro tenha sido a falta de conhecimento técnico ou experiência, mas sim de briefing. Ou seja, não houve um detalhamento sobre o grau de exigência das entregas.
Há também a possibilidade de que fosse um cliente querendo ganhar tempo para pagar o projeto. No entanto, novamente entendo que o maior erro estava no briefing. Se houvesse um acordo mais detalhado, eu teria condições de questionar os pedidos de ajustes intermináveis. Ficou a lição: os termos de execução devem ser claros para as duas partes.
Quais foram os meus melhores freelas?
Agora que passamos pela tempestade, também é hora de falar de coisa boa. Os meus melhores freelas, aliás, superam muito em volume as situações desconfortáveis que vimos até aqui. E isso é um ponto fundamental. Acredito que, caso fosse comum enfrentar problemas com os clientes na minha trajetória, talvez tivesse até desistido desse formato de carreira.
A verdade é que são inúmeros projetos nos quais eu tive alguma participação e, sendo muito honesto, tive que buscar problemas muito antigos. Os três casos anteriores, por exemplo, são dos meus primeiros meses como freelancer. Após o amadurecimento, ficou muito mais fácil de trabalhar.
Quando penso nos meus melhores freelas, contudo, percebo que eles apresentam algumas características em comum. Dessa forma, optei por compartilhar o que faz um projeto ser positivo ao invés de focar em situações específicas.
Durabilidade
A primeira característica de um bom projeto é a sua durabilidade. Aqui, não me refiro ao tempo que você leva para entregar o seu trabalho, mas sim pela longevidade de uma parceria. De um modo geral, bons freelas nos oferecem continuidade.
Isso é muito importante para reduzir a famosa instabilidade financeira. Se um cliente enxerga em você um parceiro, solicitará novas demandas e ajudará a manter o seu calendário ocupado. Ao mesmo tempo, há um fluxo de caixa fundamental para a segurança do freelancer.
Ademais, a durabilidade dos freelas também diz respeito ao relacionamento com o cliente. Em outras palavras, você gosta de participar do projeto e o cliente enxerga em você alguém com a qualidade desejada para as atividades de rotina.
Valores justos
No Conexão Freelancer, sempre bato na tecla de cobrar valores justos pelo seu trabalho. Essa é uma medida fundamental para garantir que o esforço é recompensado e, consequentemente, permitir o seu crescimento profissional. Isso sem falar no pagamento das contas.
É difícil manter-se motivado com clientes que querem apenas pagar pouco. Na prática, quando o dinheiro é o único motivo da contratação, o profissional acaba sendo descartável. Nos meus bons freelas, sempre senti a valorizçaão do meu serviço como um fator não apenas financeiro, mas principalmente de engajamento ao projeto.
Afinidade
Por fim, mas não menos importante, a afinidade com um projeto é outro fator comum em bons projetos. Quando penso nas melhores parcerias que desenvolvi ao longo do tempo, em todas elas eu gostava do que precisava fazer. A atividade tinha um viés de participação — e não de obrigação.
Esse é, aliás, um contraponto ao que levantei nos meus piores freelas. Quando há afinidade (com o cliente e com a demanda), você não tem problemas como briefing ou falta de conhecimento técnico. Dessa forma, boa parte dos problemas são superados de imediato.
E você? Quais foram os piores freelas? E os melhores projetos?
A ideia deste artigo foi compartilhar com você algumas das minhas experiências anteriores como freelancer. Nos piores freelas, os aprendizados foram muito relevantes para ajustes pontuais no meu comportamento profissional. Nos melhores freelas, os pontos em comum reforçam o que devemos buscar em uma parceria.
E você? Tem alguma vivência que queira compartilhar com nossos leitores? A área de comentários, logo abaixo, está aberta para conhecer os seus melhores ou piores freelas. E, caso ainda esteja iniciando na carreira freelancer, fica o convite para baixar o Guia do Freelancer Iniciante, nosso e-book gratuito.
Deixar um comentário