O mercado de trabalho vem sendo cada dia mais agressivo, especialmente em momentos de crise econômica como atravessamos atualmente. Isso acaba afetando também os freelancers, afinal diminui a oferta de trabalho e a valorização financeira por parte dos clientes.

É verdade também que o trabalho freelancing vem apresentando crescimento ao longo dos últimos anos, mas essa dificuldade econômica não pode ser ignorada. Pior ainda: faz com que muitos freelas aceitem todos os projetos possíveis por medo de perder oportunidades.

Se você se identifica com essa situação, talvez valha a pena conhecer um pouco melhor dois conceitos: must have e nice to have. Com eles, você poderá entender melhor o mercado em que está inserido e tomar decisões corretas para os próximos projetos.

Must Have x Nice to Have: o que são esses conceitos?

Toda empresa existe para suprir alguma necessidade de um determinado público. Do contrário, simplesmente não existe venda, certo? Nesse contexto, o principal aspecto a ser discutido é a relevância do produto (ou serviço) a ser comercializado e qual o grau de importância para o cliente – o que pode ser expressado de duas maneiras:

a) Necessidade: o cliente realmente precisa do produto e fará esforço para comprá-lo sempre que possível. É algo realmente indispensável para a sua vida.

b) Desejo: o desejo não é uma necessidade. Nesse caso a compra ocorrerá por impulso e para sanar um momento de interesse. Em situações complicadas financeiramente, o cliente poderá dispensar aquele produto.

Se para o cliente final um produto é necessário, a empresa precisa tê-lo para oferecer (must have). Por outro lado, caso seja apenas um produto de desejo e a compra ocorra por impulso, será recomendável possui-lo (nice to have), mas sem priorizar aquele item.

Em suma, temos o seguinte pensamento:

Must have: “é muito importante para o meu cliente, logo não posso deixar de ter esse produto”.

Nice to have: “meu cliente gostaria de encontrar o produto, portanto é legal que tenha como ofertar. Esse produto, porém, não é a prioridade”.

A Pirâmide de Maslow

Piramide Maslow Must Have Nice to Have

É simplesmente impossível falar sobre esses dois conceitos e não colocar a Pirâmide de Maslow em pauta. Ainda que o objetivo do artigo seja a aplicação dessas ideias para a rotina freelancer, entender o funcionamento das necessidades humanas será parte desse processo.

Na organização da sua pirâmide, Maslow elencou as necessidades humanas em cinco categorias:

  • Auto-realização (desenvolvimento pessoal)
  • Autoestima (reconhecimento, status perante outras pessoas, etc.)
  • Sociais (família, convívio com amigos, etc.)
  • Segurança (segurança sobre a sua vida, pessoas próximas, domínio de conhecimento, etc.)
  • Fisiológicas (comer, ir ao banheiro, dormir, etc.)

As categorias foram apresentadas de maneira inversa, isto é, da base da pirâmide ao seu topo. As necessidades básicas (fisiológicas) são as mais importantes. Não possui-las causará desconforto. Conforme você sobe na escala proposta, elas passam a ser menos essenciais.

É claro que você deseja a boa avaliação do seu cliente e uma indicação para novos trabalhos, porém não será algo que afetará sua qualidade de vida caso não aconteça. Essa é uma realização superficial (um desejo) e conseguimos viver sem – ao contrário de uma necessidade.

Must have e nice to have: qual a aplicação prática para um freelancer?

Agora que falamos sobre as necessidade e entendemos os conceitos, qual a aplicação prática disso tudo? Pense na sua rotina: você seleciona seus projetos a dedo ou aceita tudo que vem pela frente?

A reputação é essencial para a carreira de qualquer freelancer. Partindo desse princípio, não parece uma boa estratégia aceitar todo e qualquer projeto, certo? As chances de não entregar algo de qualidade aumentam consideravelmente.

É nesse ponto que devemos aplicar o entendimento das necessidades que a Pirâmide de Maslow apresenta. É compreensível se arriscar em projetos e reduzir preços quando você precisa pagar as contas básicas do mês e seus clientes “somem”, mas quantas vezes não aceitamos projetos desnecessários apenas para aproveitar a chance?

Classificando projetos

Para evitar esse tipo de situação e colocar a sua reputação em jogo, usar os conceitos de must have e nice to have pode ser uma boa ideia. Seguindo a mesma ideia apresentada anteriormente para os pensamentos de uma empresa. Funcionaria mais ou menos da seguinte forma:

Must have: nessa categoria estão os projetos indispensáveis. Aqueles que fazem o seu olho brilhar ou apresentam oportunidades de pagamentos mensais que garantem tranquilidade.

Nice to have: projetos que você gostaria de participar, mas que outras demandas já ocupam seu tempo. Vale também para clientes que parecem bons parceiros, mas que não apresentam uma perspectiva de trabalho recorrente.

Essa é apenas uma forma de aplicar os conceitos. O importante é que você faça uma segmentação de clientes e projetos, sabendo gerenciar o seu tempo. Não se trata apenas de preservar a reputação, mas também de organizar a sua rotina e manter um planejamento financeiro controlado.

Pode doer no começo, mas aprender a dizer “não” para projetos poderá proporcionar muitos outros “sim” no futuro.